Respira connosco uma saudade escondida...desde o primeiro momento. Envelhece-nos um vazio, disfarçado dentro de nós - é aquele tempo que já foi. Apanhou-nos desprevenidos e fugiu para um passado terminado e sem retorno. A alegria de viver alimenta-se do nosso tempo e gasta-o sem hesitações, cavando impiedosamente o buraco das horas vividas e agora mortas. A nossa alegria vai adormeçendo com as noites e morrendo com os dias e o vazio cresce e nós escondemo-nos, mas já não o disfarçamos. E é esta condição de existir que distingue os verdadeiros dos falsos homens. É neste fado que escolhemos o que somos e o que queremos ser.
Os Homens de Coragem e Vitória reconhecem o vazio dentro de si, mas aspiram à plenitude das coisas. Vivem para ela, reflectem-na nos seus pensamentos e agem em verdade com o que pensam. São aqueles que vêm o Mundo e os outros como um só. A Humildade é a sua fonte de Vida. Os outros a sua razão de viver. Por este ideal dispôem-se a sofrer penas, a combater os seus dias e a dar a sua alegria. No final do caminho o vazio já não é mais... encheu-se com a alegria dos outros e neles os seus passos continuam-se. São os Homens de Verdadeira Honra, inconformados com este mundo e dispostos a construi-lo e reconstrui-lo, à imagem de um outro melhor.
Outros há que se resvalam no vazio e cedem à morte do seu ser. São os homens da cobardia e derrota. Não aspiram, mas curvam-se para dentro de si. Sobrevivem em ganância, abstêem-se do pensamento e reagem apenas aos caprichos de um momento egoísta. Vêem neles o mundo todo, deixando os outros fora da equação. A mesquinhez é a sua fonte de sobrevivência. O vazio em si é a razão para não viver, mas antes para sub-viver. Colocam os outros ao seu dispôr e encontram na realidade os motivos para as suas acções e amoralidades. São homens pequenos e de falsidade, conformados com este mundo, cedendo ao seu vazio. Não agem... reagem. Não pensam... calculam. Não criam... apenas desgastam. São os construtores de si apenas... os verdadeiros sub-viventes. E no final, o seu vazio é tudo e nele tudo se fina em morte anunciada.Hoje prevalece e dissemina-se a apologia do vazio por todo um povo pigmeu e triste - um povo de homens da terra.
Mas não cedamos! Encontremos ânimo nesta saudade que connosco respira e continuemos a obra, com mãos de Verdade e Honra - O Povo Dos Homens Na Terra .

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