"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."

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terça-feira, 2 de março de 2010

Tempo de Voar bem mais Alto



Eis que termina o sonho!

A um portista custa mil vezes mais perder um campeonato que a outro qualquer adepto.
Nestes últimos anos, o hábito e acomodação às vitórias foram abrindo um fosso cada vez maior para algo inevitável e fatídico - a mágoa de não ser campeão.

Cresci a ver o FC Porto a crescer e tornar-se no clube mais vitorioso de Portugal, sem nenhum outro emblema chegar perto para lhe sequer fazer sombra.
Cresci a ver o meu clube a jogar o melhor futebol a nível europeu, relegando os seus rivais internos ao papel de figurantes e espectadores incrédulos, invejosos e ainda arrogantes, tanto o foram que ainda hoje são capazes de afirmar que não houve um único título ganho pelos dragões pelo seu simples mérito, o seu trabalho e profissionalismo.
Cresci habituado a ver o nome do meu clube ser arrastado na lama no meu próprio país, enquanto o seu emblema era elevado aos píncaros da Europa por todos os seus rivais internacionais.
Cresci a ver nascer na minha equipa grandes jogadores da história recente do futebol e lançarem-se na Europa, onde finalmente lhes era reconhecido o seu verdadeiro valor.
Cresci habituado a ir ao estádio festejar golos, vitórias, campeonatos, taças e principalmente... a ver o meu clube ganhar com orgulho, espírito de sacrifício e lealdade.

Ontem cresci mais um bocadinho. É também preciso perder e sentir o sabor amargo da derrota. Este ano o nosso campeonato parece definitivamente longe...mas sei que o meu clube saberá perder com honra e dignidade e renascerá para outros vôos futuros. Acabando com uma senda de vitórias caseiras, chega a altura de abrirmos caminho para uma nova epopeia europeia.
Portista não se cansa de ganhar...e não pára de crescer.


Assumindo que este ano não somos os melhores em Portugal, felicito quem o é: Benfica e Braga. Parabéns ao Sporting pela exibição de Domingo passado - justos vencedores. Agradeço-lhes como portista pela lição que nos deram - a da humildade. Talvez, após tantos anos a ganhar tanta coisa, nos tenhamos esquecido dela.

O sonho terminou. É tempo de aprender com os erros e crescer e voltar a sonhar...para voar...bem mais alto.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Salve-se o Jogo...



Sou um adepto apaixonado por futebol, ferveroso seguidor do seu clube e amante incondicional da bola. Dos pontos altos da minha semana, um deles passa certamente por ir ao estádio (ainda que muitas vezes em horários incompreensiveis - Domingo às 21h15???) e vibrar com as jogadas, fintas, remates, os golos e toda a festa deste ritual quinzenal, como já tive oportunidade de descrever aqui há alguns meses atrás.

Mas, há alguns meses atrás o meu espírito alegrava-se, não apenas pelas vitórias do meu clube, como também pelo futebol jogado e discutido de então - os temas passavam sempre pelas tácticas discutíveis das equipas, o jogador A, B ou C que deveria ou não ser titular, naturalmente os erros de arbitragem inevitáveis e intrínsecos a qualquer jogo humano, os treinadores que estariam ou não à altura da equipa, o mesmo se aplicando aos presidentes e muitas outras conversas de café e de comentadores de televisão e imprensa. Que maravilha! Respirava-se futebol... vivia-se futebol... aspirava-se ao futebol... jogava-se futebol... dentro e fora das quatro linhas.

Eis que, volvido quase um ano, a bola rola, a romaria ao estádio mantém-se, as jogadas acontecem, os golos surgem e no final do jogo, fora das quatro linhas, o futebol termina, nada mais acontece que seja digno de ser considerado como parte do mundo da bola. Os assuntos do dia versam sobre novelas e episódios de um outro tipo de jogo que se vai fazendo longe dos relvados - é um jogo onde não há regras, nem espírito de vitória. É um jogo delineado à mesa com outro tipo de jogadores, definido nas secretárias de outro tipo de árbitros e que, irremediavelmente, termina dentro do campo verde, onde tudo se decide. Que desilusão! Hoje já não se respira futebol... suspira-se. Já não se vive futebol... assiste-se. Já não se aspira ao futebol... calcula-se.

Quem dera que a principal notícia fosse um Braga candidato ao título. Quem dera que o grande comentário fosse o ataque benfiquista goleador. Quem dera que a crónica se escrevesse sobre um Sporting a renascer. Quem dera que o destaque fosse para mais um grande golo do Hulk.
Não tomem este escrito como um desabafo faccioso e viciado de um portista. No início do texto não me referi ao meu FC Porto propositadamente. Sei reconhecer facilmente quando o meu clube não é o melhor em campo, tanto quanto sei reconhecer o mérito dos mais directos adversários. Considerem antes este artigo como um texto tendencioso de alguém que gosta do espetáculo dos 90 minutos, protagonizado pelos seus melhores actores. É que hoje falta-nos um dos seus melhores. Pergunto a qualquer benfiquista, sportinguista ou bracarense, se não gostava de poder ver de novo as grandes estiradas de Hulk e aqueles pontapés-canhão de pé esquerdo. Pergunto mais concretamente a qualquer benfiquista, se gostava de ver toda esta situação dúbia e incompreensível acontecer com o seu clube, impedindo um artista como o Saviola de jogar indefenidamente?

No final do dia, sobram apenas suspeições no ar, revolta dos adeptos, frustrações dos jogadores e agressões e ofensas entre clubes e seus seguidores.

É isto o futebol de Portugal! E nós somos todos com ele. Salve-se o jogo no estádio, nem que seja jogado à meia-noite de Segunda-feira.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quatro Anos de Pura Barbaridade!


É dificil explicar o que é viver um jogo de bola e um clube.

Quem não entende, não gosta ou desconhece este jogo, tem tendência para minorizar aqueles, por eles considerados, "fanáticos" e "bárbaros" que não têm mais nenhuma paixão ou interesse na sua vida, onde gastar o seu tempo e suas emoções. São uns pobres simplórios, dotados de pouca cultura e inteligência, que agem como autênticos animais irracionais, a partir do momento em que o assunto de bola vem à baila.

Realmente é dificil explicar a estas pessoas, que me consideram tal ser limitado, vindo da profundidade das "massas" estupidificantes, o espectáculo que é ir ao Dragão de 15 em 15 dias. Até porque normalmente tais pessoas nunca levam a sério as bestas neolíticas da bola, nem querem gastar o seu precioso e racionalizado tempo a ouvir pessoas como eu.
Como é tão dificil, penso que o melhor é nem tentar explicar nada.

Quem gosta deste desporto, sabe que o futebol será sempre mais que uma bola e duas balizas. A beleza começa nas bancadas - as emoções dos adeptos, os desabafos dos pessimistas, as amizades dos vizinhos de cadeira, as frustrações das derrotas, as alegrias das vitórias, as cores das camisolas, os cânticos das claques, as coreografias dos inícios de jogo, os borracholas a tresandar a tinto, os velhotes que não param de criticar a própria equipa, os miúdos que se vestem a rigor e vibram ao colo do pai babado, os entendidos da táctica que não se calam, os namorados unidos pelo mesmo cachecol, até a raiva focalizada no homem do apito, enfim... Tudo seres reduzidos, entregues a instintos pouco dignos da cultura superior do ser-humano homo-sapiens-sapiens-sapiens-sapiens...

Mea Culpa, Professor!


No passado Domingo este ritual grotesco repetiu-se: Parece que um certo clube lá para os lados das terras onde ainda se come tripas (comida selvática), ganhou, pela quarta vez consecutiva, o campeonato nacional. De certo que não vale a pena referir nomes, nem gastar mais letras com esta barbaridade.

Permitam-me apenas esta pequena leviandade da minha parte:

OH MEU PORTO DE ETERNA MOCIDADE DIZ À GENTE O QUE É SER NOBRE E LEAL

...e já agora TETRA--CAMPEÃO!!!

Eh pá... é tão bom ser um animal portista!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Qualidade, Fair-Play e Verdade


Sou portista da cidade do Porto. Sinto muito o meu clube e tenho o privilégio de o poder fazer ao vivo, nas bancadas do Estádio do Dragão. Assumo que muitas vezes o fervor pelo meu clube chega a influenciar o meu julgamento que se quer imparcial: os lançes polémicos e duvidosos, a qualidade de jogo das equipas, a comunicação social e, claro está, a prestação das arbitragens. Ainda assim, vejo nesta paixão cega dos adeptos pelos seus respectivos clubes, o sal e a pimenta que tornam o espetáculo do futebol precisamente algo mais que um simples espetáculo - uma vivência partilhada e rivalizada.

Encaro a minha vivência portista com uma atitude positiva e recuso qualquer rótulo de anti-qualquer coisa. A única coisa que sou é PRÓ-F.C. PORTO!
Gosto de Futebol! Aliás, gosto de Bom Futebol! E, para mim, Bom Futebol define-se essencialmente por 3 características: a Qualidade de futebol praticado pelos jogadores, treinados e comandados pelos seus treinadores, o Fair-Play genuíno dentro e fora do campo e a Verdade desportiva do jogo.

Chegados praticamente ao fim da primeira volta da nossa Liga Portuguesa de Futebol (não a de nenhuma bebida ou combustível), tento fazer um balanço imparcial, sob os 3 critérios mencionados.

Qualidade:
É importante distinguir bem entre a qualidade técnica individual dos jogadores a actuar no campeonato e a qualidade demonstrada pelas equipas em campo, responsabilidade dos treinadores.
Quanto á primeira, sinceramente, considero que o nível médio da qualidade dos jogadores não variou, em relação aos últimos anos. O FC. Porto segue uma política de formação de jogadores de idade jovem com enorme potencial de crescimento: Hulk, Fernando, Rolando, entre outros. Ao Benfica atrai mais a contratação de valores já credenciados, como Suazo, Reyes e Aimar, resultado de uma sede urgente de resultados positivos a curto-prazo. Quanto ao Sporting permanece fiel à sua estratégia, conseguindo manter os seus maiores valores na equipa: João Moutinho, Liedson e Vukcevic.
Não querendo desvalorizar as outras equipas do campeonato, salvo raras excepções, as mais-valias de cada uma delas resumem-se a jogadores emprestados ou vendidos a preços de saldo, provenientes precisamente dos chamados 3 grandes clubes - equipas como o Braga, Guimarães, Académica e Vitória de Setúbal, entre outros, fazem depender a qualidade do seu plantel da boa vontade dos 3 "Grandes".
Em relação à Qualidade demonstrada em campo, penso estar correcto em afirmar que a qualidade tem tendência para subir. Basta ver clubes, como o Leixões, Nacional e Braga (ainda que este último já não nos surpreenda tanto), a mirar constantemente o topo da classificação, ou então um Trofense, ou um Rio Ave a tirar pontos aos grandes clubes. Chegamos facilmente à conclusão que a Liga está mais competitiva e não se tenha dúvidas que o está, por cima: são os mais pequenos que estão mais fortes, não os grandes que enfraqueceram. A prova é que, internacionalmente, o Porto e Sporting, estão entre as 16 melhores equipas europeias e o Braga avança vitorioso, rumo à Bélgica.

Fair-Play:
Não o da "treta", mas o genuíno. Para mim é essencial encarar o jogo pelo o que ele é. Uma partida defutebol decide-se nos 90 minutos jogados e, fora daí sim, tudo o resto são tretas!
Falo de dois tipos de equipas: as equipas do "Querer" e as do "Não Querer". As do "Querer" querem sempre entrar em campo para ganhar! Querem a Vitória, os 3 pontos, procuram o golo e cumprem com o verdadeiro espírito do desporto e competição: querer ser melhor para ganhar. Pensassem todas as equipas assim e o nosso futebol seria ainda mais espetacular.
As do "Não Querer" simplesmente não querem entrar em campo para ganhar. Contentam-se com o não perder: não querem a Vitória, basta-lhes evitar a derrota; não querem os 3 pontos, basta-lhes 1; não procuram o golo, apenas procuram evitar que o adversário marque um. Estas equipas assumem, como princípio, que são piores que os outros e nem aspiram a querer ser melhor que o seu rival. Nelas há espaço para o Anti-Jogo, para as simulações, para as desejadas paragens de jogo que possam tirar minutos aos 90. Não só tiram minutos de jogo, como também tiram a vontade de um simples adepto querer gastar 15 ou 20 Euros num bilhete, para ver um jogo jogado em apenas 60 minutos úteis.
Aqui critico especialmente os treinadores. São eles os líderes das equipas. São eles que podem influenciar o verdadeiro espírito desportivo dos jogadores. São eles que decidem se a equipa entra em campo para tentar ganhar, ou para tentar que o outro não ganhe. No nosso campeonato tanto temos treinadores do "Querer", como do "Não Querer". Normalmente os do "Querer" permanecem ou avançam na carreira e os do "Não Querer" são despromovidos ou "psicologicamente chicoteados". O futuro está no querer.

Verdade:
Eis que chegamos ao tema que tanta tinta e teclas tem feito correr e bater no último ano! As grandes polémicas da nossa realidade de hoje giram sempre à volta da tão gasta "Verdade Desportiva"! Mas para mim, não há polémica nenhuma: a Verdade é clara e perceptível - a Verdade é redonda e é chutada por 22 indivíduos, em duas partes de 45 minutos. A Verdade provém dos dois pontos atrás mencionados: Qualidade do futebol jogado e o Fair-Play genuíno. É claro que a sorte ou azar tem sempre um pequeníssimo peso - há dias em que a bola simplesmente não entra, ou que um jogador mais valia ter ficado em casa a jogar Playstation, mas eu ainda sou daqueles que acreditam que os resultados não só se decidem no pé esquerdo fulminante do Hulk, na cabeça matreira do Liedson, nas fintas em velocidade do Reyes,nos golos constantes do Wesley, ou nas defesas fantásticas do Peskovic, mas também no golo falhado do Lisandro Lopez, no frango do Moreira, na falha de marcação do Grimmy, na mão na bola do Felipe Lopes, ou no fora de jogo assinalado ao Renteria.
Não quero acreditar que a Verdade seja jogada pela falta de Qualidade e Fair-Play, fora das quatro linhas. Urge-se falar das outras equipas que não jogam, apesar de estarem em campo: as da arbitragem. Vejo bem as pressões a que são sujeitas, não durante os 90 minutos de jogo, mas durante o resto dos 7 dias da semana até à próxima partida. Vejo bem o peso que um processo douradamente arbitrado, pode ter; ou que uma imprensa comprometida com o suposto lado da maioria que mais compra em quantidade (não tanto em qualidade), pode influir no pulmão de um juíz, que na hora de soprar o apito para marcar um penalty, seja duvidoso, seja indiscutível, lhe falta o ar. Até mesmo um relatório de arbitragem discutido na praça pública e a consequente jarra, tão temida pelos indefesos árbitros, pode tirar o ar a qualquer pessoa, dependendo do estádio e camisola em questão.
Estas são as minhas dúvida, enquanto portista, que muito me preocupam! Como adepto continuo a acreditar que tal não é possível e, que no final, o melhor clube, o que mais "quis", o que procurou sempre a Vitória, os 3 pontos, procurou sempre ser melhor que o outro, apesar dos que "não quizeram" e dos que o quizeram ser, mas sem bola e fora das quatro linhas; apesar de tudo isso, acredito que o melhor sairá vencedor.

Perdoem-me a extensão do texto! Foi a opinião e desabafo de um "dragão tripeiro" que gosta muito do futebol português e sente com a alma o seu clube:
Tenho a sorte de ser Portista! Não só sou dos que querem, como também sou dos que ganham, com Qualidade, Fair-Play e Verdade!

A Vencer desde 1893!!!