
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias


Hoje, para a Sociedade Bem Pensante e Elitista que se considera política e socialmente correcta, a quem todos devem prestar vassalagem, tudo é relativo.
O Absoluto deixou de existir!
Os Ideais são tratados como múmias de um passado obscurantista.
Valores, como a Lealdade, a Honra, a Abenegação, a Amizade, a Coragem, o Respeito pela Palavra Dada, o Amor à Verdade, são desnaturados, pervertidos e ridicularizados!
Em todas as suas vertentes, o Materealismo e o Hedonismo, são os novos ídolos reinantes e adorados!
E Portugal?
O conceito de Nação/Pátria está depreciado e reduzido à ideia de que é apenas o lugar onde, por acaso, se nasceu.
Tenho a certeza que esta ideia redutora não é a de quem me entende.
O Portugal de Ontem, de Hoje e de Amanhã, conjugados e entrelaçados, é que formam o nosso conceito de Pátria.
Uma Nação que não venere a sua História, atraiçoa o seu Passado e comprometerá o seu Futuro.”
Palavras escutadas num Apelo de um Português
“E os dois amigos sentaram-se num banco, junto de uma verdura que orlava a água de um tanque esverdinhada e mole.
E mostrava os altos da cidade, os velhos outeiros da Graça e da Penha, com o seu casario escorregando pelas encostas ressequidas e tisnadas do Sol. No cimo assentavam pesadamente os conventos, as igrejas, as atarracadas vivendas eclesiásticas, lembrando o frade pingue e pachorrento, beatas de mantilha, tardes de procissão, irmandades de opa atulhando os adros, erva-doce juncando as ruas, tremoço e fava-rica apregoada às esquinas, e foguetes no ar em louvor de Jesus. Mais alto ainda, recortando no radiante azul a miséria da sua muralha, era o Castelo, sórdido e tarimbeiro, donde outrora, ao som do hino tocado em fagotes, descia a tropa de calça branca a fazer a bernarda! E abrigados por ele, no escuro bairro de S. Vicente e da Sé, os palecetes decrépitos, com vistas saudosas para a barra, enormes brasões nas paredes rachadas, onde, entre a maledicência, a devoção e a bisca, arrasta os seus derradeiros dias, caquéctica e caturra, a velha Lisboa fidalga! (…)